“Lá estou eu, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como não me canso disso. Sei que tudo acontece como um jogo... se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas dispenso.
No fundo, gosto dessas coisas. De me apaixonar, de me jogar num rio onde não sei se consigo nadar. Eu não desisto e levo bóias. E se me afogar me recupero.
Estranho e que já apanhei demais da vida. Tenho relacionamentos estranhos, acho que estou condicionada a ser uma pessoa substituta. Afinal, quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
Eu… sim, já amei, amo, amarei, e muito me machuco também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que eu fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí espero por alguém que venha me curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra mim? Por quem devo esperar?
E assim, aos poucos, me esqueço dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida me deu, me dará.
Levanto-me e sigo em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que sou fraca o bastante para não conseguir ter ódio no meu coração, na minha alma, em minha essência. E amo, sabendo que vou chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que eu, você e todos os outros, viemos ao mundo.” – Caio Fernando Abreu.
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